Quarta-feira, 9 de Julho de 2008


Eu não

Na Católica éramos uns sete, mais entrada menos saída, muito unidos e leais: ninguém roubava namorada de ninguém, mas cobiçávamos algumas dos outros. Chegávamos às dez para as oito pró café e pra faltar à primeira da manhã, depois logo se via: ou continuávamos no bar às cartas nas bejecas, ou ia-se à biblioteca pra ver as mais velhas – lembro-me de ter encabeçado um Taylor inteiro à conta duma saída mingada ao Whispers. Quando calhava, não podíamos faltar às práticas de IBG. Entre nós, só havia uma frase verdadeiramente ofensiva merecedora de quezília: És um betinho! O destinatário sabia com precisão seu significado, embora fosse o seu significante que pairasse com mais fulgor e subsequente injúria na mona do visado. Era a desonra total, mesmo que dita com intuitos de mera provocação. Já as betinhas, as sentenciadas genuínas, queriam-se boas em tudo, principalmente na caligrafia para lhes sacar fotocópias. Éramos um grupo de sete, um grupo de sete presumidos xungas.