Terça-feira, 1 de Julho de 2008


Sinto, intermitente, o teu pestanejar ao longo do meu abdómen. Parecem batidas de asas de insecto que se vão colando pelo suor à medida que descem pelo filamento de pêlos ruços até ao sexo. Mais abaixo, sinto a queda de uma gota gelatinosa e quente. Minha pele, ligeiramente arrepiada, estremece. Afinal, caiu-te uma lente de contacto lilás. Mas manteve-se a verde. Olho-te, olhas-me, olhamo-nos. Já quantas vezes te disse que tens um olhar diferente? Teu estrabismo não conta. Foi com ele que nos conhecemos: enquanto fitavas o copeiro no terraço, já me posicionava tacitamente de lado, só para me anteveres copioso na cama.

4 Comments:

Blogger mfc said...

Libidinosamente púdico!
Lindo.

9:59 PM  
Blogger espumante said...

Para mim, o ponto G do post é quando ela perde a lente de contacto. Ou talvez quando o JoãoG se lembra dela a olhar para o copeiro do terraço! Já o "copioso na cama" me parece pouco feliz e quiçá conducente a uma perigosa situação disfuncional.
Estou siderado com esta sua faceta sardónica/erótica :))
Um abraço

11:37 AM  
Blogger JoãoG said...

MFC,
É tão verdade a expressão 'nem tudo o que parece é' como a sua contrária: 'nem tudo o que é, parece...'

8:01 AM  
Blogger JoãoG said...

Espumante,

Gostou? Vai ter mais. :)

Já agora um pequeno esclarecimento: parodiar uma certa forma de escrever sobre sexo, paixão, amor, não significa nem tomar a parte pelo todo, nem que desgoste (muito pelo contrário) do formato e/ou do conteúdo. Só que há realmente por aí muito cordel "pornochato"...

8:16 AM  

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